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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Paixão do bêaba


Escrever é um dom!
Fazer das palavras armas de educação, compreensão e amor é uma dádiva. Isso ninguém pode negar.
Admiro tanta coisa no mundo e a escrita é uma dessas coisas, invenção do homem de beleza incompreensível. Amo a junção das letras, o sabor das palavras.
Como em um pouco você pode dizer tudo, como em muito você pode dizer nada, o poder dizer é fascinante.
Quando consigo escrever exatamente o que se passa em minha mente sinto que realmente sei quem sou, afinal, aqui sou só eu. Sem máscaras, sem pressão, sem tentativas de ser isso ou aquilo. Só aqui, só agora meu coração dita as regras.
Minhas mãos correm agitadas em busca das teclas para fazer da canção do coração um texto.
Não sou poeta como gostaria, não sou escritora como gostaria. Não faço obras, não crio tendências e de literatura? É, acho que passo longe.
Mas é uma paixão de longa data, talvez um vício ou uma fuga.
Talvez ninguém se interesse pelo que aqui está escrito, mas talvez sim. Nem sei se quero saber se há ou não vontade de ler, mas é enriquecedor, me sinto completa quando consigo escrever.
Paixão antiga, que queimava em brasa mansa, na verdade em quase banho Maria. Vinha e voltava como ralo das horas tristes e baú para as alegrias, descarregando vez ou outra a amargura ou a excitação da alma. Não havia o porquê de por fé em algo tão irregular e inconstante. Destino ou não, escrever virou ofício, ainda não totalmente, mas esse é seu objetivo.
Escrever do mundo, das pessoas, dos fatos. Mas de que jeito?
Aquele jeito breve, sem realmente enxergar as pessoas, mas no intuito de informar as demais. Escrever assim não é igual.
É bom, é gostoso, não tem como negar. Adrenalina da notícia, contribuir para a informação da sociedade
Mas e as pessoas em si, quem retrata? Quem conta de verdade as histórias delas? Palavras nos permitem isso, então porque não usar?
Deixar que saibam a verdade, deixar tentar retratar e passar os sentimentos atrás das mais simples palavras. Como em cartas de amor, como nas falas das crianças, como nas poesias. Sem pretensão, mas com uma missão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

APERTA O PLAY

“Deixa a vida rolar,
Deixa a saudade apertar,
Deixa o vento bater
E o coração se render.
Deixa a boca sorrir,
A janela se abrir
Para que os olhos assim
vejam o Sol refletir.”

Não sei se parei de enxergar ou se perdi a sensibilidade, de repente ficou tão difícil de falar sobre as coisas mais simples. Aquelas que passam por nós todos os dias e costumamos não ver. Admiro tanto essa capacidade de captar o comum que chega a ser invisível, mas assim sem mais nem menos meus olhos se fecharam para isso.Como se a vida tivesse pausada numa cena, fiquei presa na última vez que reparei no rotineiro despercebido.

Em um dia claro, estou sentada ouvindo a música e sentindo os raios de sol me aquecer lentamente, aquele calor gostoso e aconchegante. No embalo do ritmo musical os olhos se perderam pelo asfalto e fixaram-se em uma folhinha que era carregada por algum pequeno ser, provavelmente uma formiga.

O inseto seguia como se atravessasse a rua, para nós algo conquistado em alguns poucos passos, mas para ele poderia ser algo interminável. Ali fiquei, zelando pela formiguinha, afinal aquela folha deveria ser tão pesada para ela e o asfalto então? E os perigos aos quais estava exposta? Apesar de a rua ser tranqüila, a qualquer momento poderia passar alguém e acabar com a luta da formiga. Dito e feito.

Um ônibus saiu e com ele o esforço do pequenino ser se foi. Ali acabava a luta, o trabalho, talvez a esperança. Fiquei uns cinco minutos olhando para aquela folhinha que instantes atrás se mexia lentamente. Passei a pensar quantas folhas carregamos por dia, cada sonho, cada luta, cada trabalho e cada esperança. E quantos chegam ao final? Quem nunca foi “atropelado” por um gigante e logo viu a expectativa morrer? A formiga aquele segundo tomou todos esses significados apara mim.

Dias depois passei por um susto, algo pelo qual nunca havia passado. Com os sentimentos a mil e a cabeça confusa só conseguia me sentir de um jeito, como a formiga. Vi um esforço de ser quem sou ser roubado em um segundo e nada pude fazer. Era como se tivesse sido pisoteada.

Exageros a parte, mas a analogia ainda presente, eu tive a sorte que a formiga não teve. A de me levantar e seguir em frente, então o fiz. Mas a vida parece que ainda não rodou, está no pause, congelada e os olhos no piloto automático, passando rapidamente pelos capítulos.
Enquanto isso esperando a vida rolar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre a saudade



Às vezes sinto saudades sem nome

Sem cor

Às vezes ela dói e bate sem mesmo ter motivo

Saudade de algo que nem se sabe

Ou ás vezes de algo que já foi há tanto tempo

Ás vezes sinto saudades de sentir

Às vezes de abraços

E de vozes que me confortam

Sinto saudades do Sol, do mar, da grama, da cachoeira e

dos passarinhos cantando durante a tarde

Sinto tanta falta principalmente do sorriso

Sinto saudades do afeto

Da vida por ela mesma

Saudades da paz, saudades dos sonhos

Todos dentro de mim, mas que hora ou outra se

perdem na complexidade de ser e entender quem eu sou.

Saudades às vezes só por sentir saudades

Porque a saudade nada mais é do que a prova

que existe um coração.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

E se não houver amanhã?

“Você disse? Eu te amo. Eu não quero viver sem você. Você mudou a minha vida. Você disse? Faça um plano, tenha um objetivo. Trabalhe para alcançá-los, mas de vez em quando, olhe ao seu redor e aproveite, porque é isso. Tudo pode acabar amanhã.” Grey's Anatomy - episódio 24 da 5º temporada.

Ficou marcado na memória não sei por qual razão, mas aquele senhor de cabelo grisalho e olhos puxados que ia e voltava pelos corredores da redação ficou na minha lembrança.
Já tinha ouvido falar dele, técnico de informática, essa era sua função. Resolvia os problemas que ocorrem com os computadores, praticamente um salvador de vidas, afinal hoje somos tão dependentes das tecnologias que nos cercam, mas isso é assunto para outra história.
Silencioso e de expressão séria ia pacientemente fazendo o serviço para que fora chamado. Os passinhos curtos ou os olhos franzidos, não sei o que me chamou tanta atenção naquele senhor. Na verdade só pensava o que ele, um técnico de informática, estava fazendo no trabalho em pleno sábado.
Afinal, ele optou por uma profissão que disponibilizava os fim de semana para descansar e curtir a família. Mas ele estava ali, salvando o trabalho de um jornalista, para a informação chegar a tempo.
E lá ele ia, de um lado para o outro, meus olhos o seguiam, não conseguia parar de olhar.

Em um piscar de olhos a semana passou. Sexta feira gelada e de chuva fina, como lágrima que escorre do rosto.Há motivos para chorar? No trabalho vou seguindo a rotina, aguardo os emails chegarem. A primeira mensagem tem a foto do senhor japonês, aquele de passinhos curtos, junto a foto a informação de que ele não está mais entre nós.
A vida é curta? Pelo jeito é.
Tudo que conhecemos hoje em um minuto pode mudar
É estranho pensar que sete dias atrás ele estava trabalhando normalmente. Não havia quem não estivesse surpreso com a morte do senhor.
Uma única vez bastou para aquele senhor marcar a minha vida, porque por algum motivo me tornei espectadora de um dos últimos dias de vida dele.

sábado, 4 de julho de 2009

Meu Brasil brasileiro

A caminho do trabalho, os ponteiros do relógio passam rapidamente pelos números. O tempo voa, assim como a vida lá fora. Estou dentro do ônibus perdida em pensamentos, fazendo das janelas telas para ver o mundo ao meu redor.

Pelas calçadas desniveladas vem um senhor de aparência simples, olhar cansado e respiração levemente ofegante. Anda devagarzinho como se carregasse nas costas um grande peso. Não consigo vê-lo por inteiro, não sei por qual motivo há tanta dificuldade para andar.

Algo reluz em meio às roupas surradas e encardidas, um pingente de alumínio pendurado por uma cordinha de couro. O senhor carrega o Brasil próximo ao peito, esse era o formato do pingente, talvez seja esse o peso que o faz andar com dificuldade.

O peso de um país com tanta desigualdade social, falta de investimentos na saúde e na educação. Assombrado pelo analfabetismo, condições desumanas, corrupção e miséria. Palco de picaretagem, roubalheira, o pior é que o conformismo da população, ou melhor, a falta de instrução para exigir uma realidade melhor é o protagonista dessa história.

Talvez para ele o adereço não tenha significado, talvez nem seja patriota, mas naquele pequeno colar no qual o senhor exibia carregava a controvérsia desse país. Ele, vítima de algumas dessas injustiças, carrega o Brasil no peito, com o todo o orgulho de ser mais um esse nosso Brasil tão brasileiro.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Procura-se um amor


Em meio a uma roda de tricô havia novelos de lã, agulhas e burburinhos.

Era um jeito gostoso de passar as tardes de outono, na companhia das amigas de velha data. Uma forma de manter a cabeça trabalhando e o papo em dia.

Esse domingo, em especial, viajamos pelo tempo. As lembranças traziam à tona os passeios pela praça. Ah! A velha praça, hoje tão abandonada! Nem parece mais o lugar que servia de palco para as grandes paixões que ali nasciam.

Era uma verdadeira dança em volta do coreto, mulheres caminhavam no sentido horário e homens no sentido oposto, olhares de cruzavam e de lá se iniciava uma linda história de amor. As coisas eram simples, inocentes.

Tudo de repente. Voltamos à vida real, quando Cissa, minha neta, entrou correndo pela sala. Dizia que precisava se arrumar o mais rápido possível, pois haveria uma grande passeata que ela tinha que participar.

Curiosas, eu e minhas amigas ligamos a TV para ver de onde vinha tanta empolgação. Foi quando vimos que a passeata era do Movimento Sem Namorado, que estava reunindo pessoas, das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, que não conseguem arranjar um companheiro.

Cissa logo se trocou e saiu correndo pela porta. Ia até a Marquise do Ibirapuera onde seria a concentração das meninas que procuram por "alguém legal". Pelo menos é assim que elas definem o que procuram.

Assim que a porta bateu, todas as jovens senhoras soltaram uma grande gargalhada. Mulheres que se diziam tão independentes, que riem quando ouvem nossas histórias sobre romances, hoje fazem passeatas, algo que remete a protesto, para conseguir um namorado.

Naná, minha amiga desde a época de colégio, mal conseguia tomar fôlego para falar. Respirou fundo e disse que não dava para imaginar como seria um evento desses.

Começamos a comparar com os dias de hoje e constatamos que o romantismo acabou. A viagem pelo tempo terminou ali, agora o tricô passou a ser o comportamento dos jovens atuais.

Continuamos tricotando e curtindo nossa tarde, o sol ia se pondo. Fiquei com as lembranças na cabeça e não resisti, subi até o quarto. Lentamente, como se não soubesse o que me aguardava, abri a cortina. Meus olhos brilharam quando viram a velha praça, sob a luz do sol, ali sozinha, esperando por um casal apaixonado.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Hoje

Hoje não vesti minhas asas,
não sai na rua, não prendi o cabelo.

Hoje não quis o almoço,
não tomei o suco,
não peguei a sobremesa.

Hoje o mundo perdeu o sentido,
mas ganhou formas e
muito mais, ganhou cores.

Só hoje me desliguei das vaidades,
das responsabilidades,
para me prender apenas no seu sorriso.


Só hoje vi em seus olhos a chance
de ser alguém como jamais imaginei


Hoje, só hoje, me entreguei de verdade
para um outro alguém.